Escolhas e propósito
Escolhas e propósito
A coerência que realmente importa
Às vezes acreditamos que o que mais nos machuca é a atitude do outro.
Uma promessa não cumprida.
Um compromisso esquecido.
Uma resposta que nunca chega.
É natural que essas experiências provoquem frustração. Afinal, esperamos que as relações sejam sustentadas por respeito, responsabilidade e confiança.
Mas, depois que a indignação diminui, uma pergunta costuma permanecer:
O que farei com isso agora?
Talvez seja nesse momento que a coerência revele seu verdadeiro significado.
Costumamos esperar coerência das pessoas. Esperamos que palavras encontrem ações, que acordos sejam respeitados e que aquilo que foi prometido também seja vivido.
Quando isso não acontece, sofremos.
E, muitas vezes, sem perceber, permitimos que a incoerência do outro comece a determinar a nossa própria maneira de agir.
Respondemos com a mesma impaciência que nos feriu.
Falamos sem refletir porque nos sentimos desrespeitados.
Deixamos que a frustração escolha as palavras por nós.
É nesse ponto que a coerência deixa de ser uma característica do outro e passa a ser um compromisso nosso.
Ser coerente não significa aceitar tudo em silêncio.
Também não significa abrir mão dos próprios direitos.
Significa defender aquilo que consideramos justo sem abandonar os valores que escolhemos para orientar a nossa vida.
Talvez seja essa uma das formas mais discretas de maturidade.
Perceber que não controlamos a responsabilidade do outro, mas podemos cuidar da nossa.
Não controlamos a honestidade das pessoas, mas podemos permanecer honestos.
Não controlamos a delicadeza com que seremos tratados, mas podemos decidir que tipo de presença desejamos oferecer ao mundo.
A coerência, então, deixa de ser uma expectativa e se transforma em uma escolha.
Porque, no fim, a única coerência que realmente podemos preservar é a nossa.
E talvez seja justamente isso que nos permita atravessar a frustração sem perder aquilo que temos de mais valioso: a capacidade de continuar sendo quem escolhemos ser, mesmo quando a realidade nos convida a agir de outra maneira.
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